A Fábrica das Fábricas

A história da Metalúrgica Atlas e o desenvolvimento urbano industrial de São Paulo

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A Fábrica das Fábricas

No bairro da Vila Leopoldina, localizado na zona oeste da capital Paulista, encontram-se instalações e edifícios de um momento importante da história industrial do país e da Votorantim. A Metalúrgica Atlas é símbolo de uma nova paisagem que se instaura em São Paulo e no Brasil nas primeiras décadas do século 20.

Equipamentos e maquinários da Metalúrgica Altas, década de 1960

Superando desafios

As ideias e atividades que dariam origem à Metalúrgica Atlas tiveram início em meio a um momento difícil: com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), surgiram restrições para importações, financiamentos e desenvolvimento de tecnologia, o que dificultava o avanço industrial no país e na Votorantim.

Foi nesta época que trabalhadores da oficina mecânica da Votorantim passaram a desenvolver e produzir peças e tecnologias alternativas para as necessidades internas do Grupo.

O sucesso dos trabalhos foi tão grande que a oficina passou a se destacar como uma unidade de negócio. Em 1944, seria criada então uma empresa autônoma: a Metalúrgica Atlas, uma indústria inovadora de equipamentos pesados especiais que passou a solucionar não só os gargalos tecnológicos enfrentados pela companhia, como também a atender demandas externas.

Foi nas décadas de 1970 e 80, no entanto, que a Atlas teve seu papel mais significativo. Com a onda de expansões da Votorantim naqueles anos, a fábrica atendeu a grandes demandas. Por essa época, então com 650 funcionários, a empresa passou a ser conhecida como a “fábrica das fábricas”. Entre seus produtos estavam fornos elétricos, fornos rotativos para cimento, peças e equipamentos variados, que atenderam a Siderúrgica Barra Mansa, as fábricas de cimento Santa Helena e Portland Rio Branco, a Cia Brasileira de Alumínio, entre outros. Nesse mesmo período, a Atlas abriu também filiais em diversas partes do país.

A empresa funcionou até 2014. E, hoje, em um dos seus edifícios, encontra-se o Memória Votorantim.


Visita presidente da CSN Lino Meira à Metalúrgica Atlas. Na imagem vemos Antônio Ermírio de Moraes e Clóvis Scripilliti, 1961

Centro Industrial do Jaguaré e a nova paisagem urbana

Ainda que tenha nascido para atender a uma demanda interna da Votorantim, a Metalúrgica Atlas faz parte de um contexto histórico e urbano que marcou São Paulo.

A partir do final do século 19 e durante as primeiras décadas do século 20, a sociedade brasileira dinamizou-se muito, levando a um crescimento das cidades e de sua população. Rio de Janeiro, então capital, e São Paulo saíram à frente nos processos de modernização.

Em São Paulo, na região onde se encontram os bairros da Vila Leopoldina e do Jaguaré, havia uma grande fazenda que pertencia à Companhia Suburbana Paulista, criada pelo engenheiro Ramos de Azevedo, que executava loteamento de terras pela cidade e fora um dos fundadores da Escola Politécnica, primeira escola de engenharia da cidade, e responsável por importantes obras arquitetônicas da capital paulista como o Teatro Municipal, Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Mercado Municipal.

Antonio Ermírio de Moraes no Shibaura, o maior torno da Metalúrgica Atlas, s.d.

Desenho técnico mostrando a estrutura geral do Centro Industrial da Vila Leopoldina (antigo Centro Industrial Jaguaré), 1946